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31 de agosto de 2016

PRESIDENTE DILMA PERDEU O SEU CARGO - Acabou. Dilma perde o cargo e o PT deixa o poder

Acabou. Às 13h37 desta quarta-feira, encerrou-se antecipadamente o governo de Dilma Rousseff, que iria até 31 de dezembro de 2018. 
Nesse horário, o presidente do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski  proclamou o resultado do processo de impeachment que começou a tramitar no Congresso Nacional em 2 de dezembro de 2015.
Por 60 votos a 20, os 81 senadores, juízes da causa, decidiram que Dilma deveria perder o mandato. 
Mas não se abreviou apenas o governo Dilma, 28ª Presidente do Brasil e primeira mulher a ocupar o cargo. Terminou também o ciclo do Partido dos Trabalhadores no Planalto.
Foram 13 anos marcados por momentos de euforia e arrancadas de crescimento  que desaguaram, no entanto, numa recessão histórica, causada por erros flagrantes de condução da economia.
Houve avanços sociais? É claro que houve. Mas os petistas gostam de afirmar que tudo começa com eles, e isso não é verdade. 
Em todos os países onde há democracia e economia de mercado, o vetor é de progresso social. No Brasil, isso acontece desde o começo dos anos 90. Pode haver retrocessos pontuais, mas não uma reversão completa da tendência.
O PT viu um desses retrocessos  acontecer recentemente. Entre 2012 e 2013, os índices de pobreza extrema tiveram seu primeiro aumento no Brasil em muitos anos. 
Segundo os dados oficiais da PNAD, a porcentagem de pessoas na pobreza extrema saltou de 3,63% para 4,03% da população.
Quanto às boas intenções, o PT não tirou do vácuo as medidas de combate à miséria. 

O embrião do Bolsa Família, para ficar só nesse exemplo, estava no governo Fernando Henrique Cardoso.
Quanto às boas políticas, um estudo de 2015 do Ipea – um órgão de pesquisas federal devidamente aparelhado pelo PT – teve de reconhecer que a desaceleração do crescimento no primeiro governo Dilma explica por que os esforços de erradicação da miséria não tiveram os efeitos desejados – muito pelo contrário.
E por que o crescimento desacelerou?
A economia petista teve ideias boas e ideias novas. Mas as boas não eram novas, e as novas não eram boas. Os períodos de maior desenvolvimento coincidiram com a adoção de uma cartilha de responsabilidade fiscal herdada, mais uma vez, do governo FHC. 
A derrocada começou com a tentativa de emplacar a famigerada Nova Matriz Econômica, que arrebentou as contas públicas, devastou a indústria e outras áreas de atividade,  causou desemprego em larga escala – e afetou até mesmo as bandeiras petistas na esfera social.
Os 13 anos do PT também foram marcados por uma tentativa sem precendentes de pôr o partido acima do Estado, ou o Estado para trabalhar pelo partido. 
Não se trata apenas das operações mais visíveis de aparelhamento da maquina administrativa, mas das “tenebrosas transações” – para citar Chico Buarque – desvendadas nos julgamentos do mensalão e, mais recentemente, do petrolão.
A era petista foi a da corrupção sistêmica posta a serviço não apenas do enriquecimento pessoal de dirigentes partidários – que também aconteceu! – mas também de um projeto de poder.
Dilma talvez possa dizer que foi “uma mulher honesta” por que não se encontram indícios de que dinheiro sujo foi parar na sua carteira, mas foi certamente uma política desonesta, porque mentiu muito mais do que a moral autorizava na campanha de 2014 e principalmente porque a engrenagem partidária que a elegeu foi fartamente lubrificada pelos recursos do petrolão
Pelas mesmas razões, Lula foi um político desonesto. Os casos do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia indicam que não estava acima de locupletar de um arranjo corrupto para benefício próprio. 
Os 13 anos do PT no poder serviram também para sujar a imagem de um dos grandes líderes populares da história recente do Brasil. 
E a despeito de tudo que se possa dizer, ninguém é culpado por isso, exceto os próprios petistas.
Fica alguma herança boa desse tempo? O jeito petista de fazer política colocou a questão dos pobres no centro do debate brasileiro de uma tal maneira que será impossível para qualquer político que queira chegar ao poder tirar esse tema do topo da lista de prioridades. 
Nem sempre os argumentos foram honestos. 
O PT mobilizou o medo e demonizou adversários como gente que quer mal aos pobres, e fez isso por razões puramente eleitoreiras. 
Mas vá lá: blindou políticas sociais e coagiu toda a classe política a buscar soluções engenhosas para abordar as carências do país.
Há também uma “boa herança negativa”, com o perdão da expressão. Nunca mais um partido político chegará tão perto de colonizar o Estado como chegou o PT. 
Nunca mais um partido político poderá reclamar para si o monopólio do bem e da verdade como o PT reclamou. O Brasil está curado disso.
Acabou. 

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